sábado, 10 de agosto de 2013

POESIA REVOLTADA 

ECIO SALLES

Apresentação

O que é erudito e o que é popular na cultura brasileira nos dias atuais? Será que no meio popular não existe o erudito? Onde o hip-hop se enquadra em nossa cultura?
Ecio Salles afirma:
Temos de um lado a cultura popular, dispondo de grande público e prestígio nos diversos meios de comunicação; de outro, a cultura das elites, restrita a pequenos círculos de iniciados, quase sempre ressentidos de sua escassa visibilidade.
O rap não é – nem será em sua forma atual – uma cultura de elite, seja ela dominante ou pensante. Mas é, isto sim, uma forma válida de manifestação cultural que, como todas as outras, tem sua “elite”, formada por seus expoentes, seus melhores artistas e seguidores.
No entanto continua, mesmo depois de três décadas, a mais erudita das expressões populares. Pelo preconceito da sociedade e pela fraca exposição na mídia, fica restrita a poucos. E sua peculiaridade reside aí: ele é ao mesmo tempo popular e erudito.
Ecio escreve com brilhantismo e competência sobre assuntos que, na maioria das vezes, são relatados de modo equivocado por aqueles que se dizem profundos conhecedores da cultura hiphop.


O rap – forte aliado na afirmação de identidades específicas, visto sua apropriação pelas elites – e o sampling, acusado de “necrofilia artística”, têm sido os alvos preferidos.
Contra essa corrente, temos rappers se valendo da palavra e de sua voz como arma que fala pela favela, buscando no passado brasileiro parentescos capazes de legitimar o seu modo de expressão. Este livro nos leva a uma profunda reflexão sobre o papel essencial que tem o hiphop nas comunidades brasileiras, e nos conta como alguns legítimos representantes o eternizaram através de suas poesias urbanas.

Raffaello Santoro (Dj Raffa)



Fonte: : Salles, Ecio de - Poesia revoltada / Ecio Salles. - Rio de Janeiro: Aeroplano, 2007. il.;.-(Tramas urbanas; 3)