quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O AMOR E EU



O AMOR E EU


Francisco Deliane

Rico de sonhos contidos no infinito da ausência.

Apartado do meu próprio eu

estilhaçado e naufragado em tantas partes,

frações, ego, alter-ego e outras partições

partituras, urdiduras, dores e canções,

versos, prosas e histórias

signos, lembranças e mutilações...

Aberto ao mundo, desaferrolhado,

sem chave, sem cadeado.

Moribundo da filosofia e da razão

suspeito de ser feliz,

infeliz,

ou coisa assim

sigo entorpecido, ateu, a toa, incréu

neste vasto mundo de ilusão

perdido no concreto, indiscreto,

incompletamente vivido,

esgotado,

espoliado pelo amor que se foi

quando pararam as horas, os dias, os meses

as estações.

Permaneço

rico de sonhos não vividos

contidos

suados, sofridos,

órfão infantilizado da realidade que partiu

inculto

impuro

indecente

despudorado

na oralidade do sexo

na visualidade do beijo

na concretude da vida.

Permaneço assim tão crente

o amor retornará

porque o sonho, esmaece

a foto, desgastada amarelece

mas o amor quando é amor permanece.